VIVA O VERÃO!!!!
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terça-feira, 6 de abril de 2010

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“PELAS ÁGUAS DA VIDA”

Ponho a deslizar
Minha melancolia,
Suave e infinita,
Pelas águas da vida,
Em direção a nada;
Às margens, palafitas
E vidas já finitas;
Acima há névoa
E tudo parece cinzento,
Sem nenhum movimento;
Atrás, a bruma fresca
Desta manhã, muito distante
Daquela antiga, farsesca;
Abaixo, as águas são difusas
Onde marolas sutis se esgarçam
E, preguiçosas, se espraiam
Deslizando para além
Do meu observar calado
Que nem sei de onde vem.
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“LOIRA ESCULTURAL”

Achei-te, por acaso,
Atrás daquele vaso
De porcelana chinesa,
Da dinastia Ming
E te lancei um único olhar,
Disponível e de alto nível,
Que te atingiu e tonteou,
Mas não te perturbou
Além do teu desejo
De receberes o meu cortejo
E, finalmente te exibires,
Com todo o teu encanto,
Só pra mim, naquele canto
“PAVOR E CACOS”

Cinco homens sisudos, num utilitário preto,
Passam três vezes em volta do coreto
E descem, devagar, para a rua de baixo,
Cruzam com um gordo, de contrabaixo,
Dobram à esquerda, na quadra do comércio,
E estacionam bem em frente às Lojas Lupércio;
Assestam pesadas armas e, juntos, disparam
Rajadas de fogo infernal, e não param;
Em apenas dois longos minutos
Transformam tudo em pavor e cacos,
Por todos os lados;
Arrancam, cantando pneu
E ofendendo a todos, em altos brados
“PELA NÉVOA DA HISTÓRIA”

Partiste, com teu tridente,
Numa tarde de verão, ao sol poente;
Ias atrás do teu chefe,
Leva-e-traz, sagaz e fanfarrão,
Natural da curva do vento,
Forte elemento que, agitado vira tufão;
Apressados, voavam naqueles lombos sombrios,
Através dos fatos e dos tempos, tão fugidios;
Tu, com chapéu preto e penacho,
Teu chefe, mesmo com rabo preso, saiu ileso;
Nenhuma poeira do chão,
Nenhum ruído, ouvido em vão;
Como flechas certeiras,
Zuniam, pela névoa da história,
Rumo a mais uma missão inglória
“TEU TOM ADOLESCENTE”
Para Luciana

Tuas palavras têm faíscas brilhantes
E a suavidade de lapidados diamantes
Que me atingem com o maior ímpeto
E penetram, sem fim, em todo o meu ser,
Fazendo-o pulsar e efervescer,
Tanto pelo teu estilo delicado e ardente
Como pelo teu tom adolescente, tão indecente,
Que me seduz como uma serpente,
Ondulante, hipnótica e irresistível
Em teu doce ritual de luxúria
Temperado com umidade e inocência
Que me deixa sem nenhuma resistência